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09 março 2010

Pacto do atraso

Por Ruy Smith

No debate ora instalado no vizinho Pará, sobre a divisão daquele Estado para criação de mais dois congêneres nominados de Carajás e Tapajós, me chamou atenção a notícia de primeira página estampado em jornal da capital, onde um analista argumentava que fracionar o território paraense significava transformá-lo em três Amapá, estado pobre no qual a população fica à mercê das elites locais. A visão forasteira da realidade amapaense não é desprovida de sentido crítico, não cabendo contestá-la por puro ufanismo, pois.

Não é novidade que sempre fomos conduzidos por representantes alheios à vontade popular local, desde o desmembramento ocorrido em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá a partir de terras paraenses. Os governantes que aqui passaram, ungidos pelo governo central, afora notáveis exceções, apenas cumpriram missão oficial, desatrelados da responsabilidade de conduzir o Amapá por amor a terra e compromisso com a sociedade nativa.

Com a constituição de 1988, criado o Estado do Amapá, as condições do exercício da autodeterminação se estabeleceram. Finalmente o povo amapaense escolheria seu próprio destino, conduzido por lideranças arraigadas ao sentimento de promover o bem-estar geral. Concorreriam na contramão, como de praxe na história brasileira, as elites atrasadas locais, filhas do longo período de colonização e refratárias a qualquer tentativa de mudança.

Passados 19 anos desde a posse do primeiro governador eleito do Amapá, em 15 de março de 91, está tudo como dantes no quartel de Abrantes. Ressalva se faça ao ex-governador Capiberibe, o único que desenvolveu o plano de governo apresentado em palanque. Estruturado nas premissas sustentabilidade, descentralização e transparência, como base para quaisquer ações de governo, tal concepção de governar atingiu em cheio as castas privilegiadas. Para a ridicularização e o boicote ao projeto foi um passo. O império do atraso contra-atacava.

No atual governo, nunca foi tão forte o atrelamento com as forças corrompidas, em total dessintonia com as aspirações coletivas. Em substituição ao criador do finado PDSA, Waldez elegeu-se em 2002 apresentando uma cartilha com 12 propostas sintonizadas com os sonhos de todo amapaense de então: primeiro emprego, casas populares, creches em cada bairro e outras não menos preferidas. Quase todas foram sequer perseguidas. A necessária visão de futuro existe apenas no slogan do seu segundo mandato. Mas os amigos do poder estão satisfeitos.

Convivendo com escândalos só superados em tamanho pelo esforço da mídia paga para abafá-los, o governador preferiu acolher, num pacto de harmonia, integrantes, dos mais ilustres, dessas elites, ressalvados os que não se renderam ao pacto funesto, verdadeiros heróis da resistência : de A a Z dos veículos de comunicação, de membros de poderes a falsas lideranças populares, de grandes empresários a pseudo representantes das classes trabalhadoras, de mandatários do senado federal a vereadores do menor município. Para esses, a palavra chave é “favor”, disfarçada em participação no governo, de uma ou de outra forma, e o preço a ser pago é o silêncio absoluto para com o sofrimento do povo.

Como manter amigos poderosos, e sequiosos, custa caro, falta dinheiro para as carências mais elementares da população. Setores como os de energia, água, esgoto, saúde, educação, habitação, recuaram drasticamente no período, motivado pelo loteamento político da administração e pela falta de cobrança do governador pelos resultados. Oiapoque e Laranjal sofrem com a crônica falta de energia, não tem água em hospitais da capital, merenda virou artigo de luxo nas escolas e recém nascidos morrem no atacado. Em nome da parceria política, tudo é tolerado, até a corrupção desenfreada.

Exemplo mais patético da “forma Waldeziana de ver o Amapá” é o recente escândalo na educação pública, setor contemplado com vinte e cinco por cento de todo o orçamento do executivo. O MPE acusa formalmente vários colaboradores do governo de estarem envolvidos em falcatruas que atingem a casa dos 200 milhões de Reais; nesse rol está o nome do gestor da SEED, parceiro do governador e, pelo próprio, escolhido e nomeado. A justiça de primeira instância sentenciou o seu afastamento. Qualquer governante sério, ao menos na aparência, deveria acolher a hipótese de estarem ocorrendo as ilicitudes apontadas, e afastar os envolvidos para preservar a imagem do governo e garantir as figuras da segurança e da precaução administrativa.

A administração pública está acima das pessoas, e o interesse coletivo acima dos individuais. Mas, para o governador a amizade ou, pior, o medo que toda a sujeira venha à tona, parece estar acima de tudo, até da dignidade do cargo. O governo já recorreu da sentença. O governador é um parceirão! As forças corrompidas do atraso, penhoradas, agradecem.

Ruy Smith, deputado estadual.

Prefeita Euricélia num ritmo impressionante: “Laranjal não pode parar”.

Depois de inaugurar várias obras logo após seu retorno para a Prefeitura de Laranjal do Jari, tais como: Sede da Prefeitura, Espaço dos Conselhos do FUNDEB, Biblioteca Ambiental e Unidade Básica de Saúde, em Conceição do Muriacá, a Prefeita Euricélia Cardoso continua adotando um ritmo frenético de trabalho transformando Laranjal num verdadeiro canteiro de obras. “Laranjal do Jari é um município que precisa de muitas melhorias e tenho buscado parcerias a nível Estadual e Federal para canalizar recursos para a execução de obras que melhorem a qualidade de vida de nossa população.” Disse a Prefeita.

Na área cultural o carnaval de Laranjal foi o grande acontecimento entre os dias 13 e 16 de fevereiro. Pelas estimativas participaram mais de 60 mil foliões. No último dia 05 de março, na sexta-feira, foi inaugurado o prédio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto, com grande participação popular e no sábado (06/03) houve dois eventos: Um café da manhã, realizado no Ginásio de Esportes em homenagem ao dia internacional da Mulher, organizado pela equipe da Prefeita Euricélia Cardoso onde foram homenageadas várias mulheres de Laranjal e a III Conferência Municipal de Esporte que aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores onde participaram vários segmentos da sociedade Jarilense.

Está em fase de execução a Casa do Agricultor, Escola Técnica Federal, Centro de Fisioterapia, Matadouro Municipal e Casas Populares no Bairro Cajari e Buritizal, e, seguindo todas as exigências burocráticas será dada continuidade a obra da Ponte sobre o Rio Jari projeto que integra o Estado do Amapá ao Pará.

PSOL- Começa preparação para as eleições de 2010.

O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) realizou neste sábado (06), uma plenária de preparação para a Conferência Eleitoral Estadual no município de Santana, na Câmera Municipal, com aproximadamente 100 militantes e a presença do deputado estadual Ruy Smith (PSB) como membro, convidado, da mesa que dirigiu o evento. Fizeram parte da mesa o presidente municipal do PSOL, Gilmar Tentes, o ex-candidato a prefeito do município de Santana, Andrade, o representante sindicalista, Jânio, o vereador Clécio Luis (PSOL), o deputado estadual Ruy Smith (PSB), e o presidente estadual Randolfe Rodrigues.

Entre os discursos e debates se percebe que uma decisão já está definida para as eleições de 2010, a candidatura ao Senado do ex-deputado estadual Randolfe Rodrigues, e que o PSOL acredita na reedição da “Frente pela Mudança”, que em 2008 disputou a prefeitura de Macapá. “Com uma ampliação, um pouco maior, dessa frente política, nós teremos chances reais de retomar o governo do estado para um projeto diferente desse, que está em curso, que não cumpre nem com a garantia dos direitos humanos básicos, como por exemplos, o direito a vida, a saúde, a educação e etc.” Discursou Randolfe Rodrigues.

Percebe-se também que existe uma parceria entre a direção do PSOL e o deputado Ruy Smith (PSB), para as eleições de 2010, o que me leva a crer que o objetivo maior do PSOL no estado do Amapá, para essas eleições (2010), será a esfera federal. Com Randofe Rodrigues ao senado e, provavelmente, Clécio Luis para a câmera federal.

Trecho da entrevista de Mauricio Medeiros com o Dep. Ruy Smith (PSB):

MM. - Como o Sr. Ver essa possível candidatura, ao senado, do Randolfe Rodrigues e essa parceria que está sendo anunciada entre o Dep. Ruy Smith e o PSOL?

RS.- Não é nenhuma novidade que nós temos uma parceria com o PSOL, mais especialmente com o Dep. Randolfe Rodrigues, desde que, no meu primeiro mandato, nós dois fomos os únicos que ficamos na trincheira da oposição e depois nos mantivemos, mesmo o Dep. Randolfe sem mandato, nessa oposição e nada mais normal, do que no momento de eleição, aqueles que foram oposição possam estar juntos. Então essa é a parceria daqueles que sempre foram oposição. Randolfe está avaliando, juntamente com o seu partido, a possibilidade de ser candidato a senador e se for candidato, nós o apoiaremos, eu pelo menos o apoiarei com o maior prazer com a maior satisfação por que vejo no Randolfe não só um político de futuro mais principalmente um político que tem um passado brilhante, um passado limpo e é uma pessoa que tem um ideário popular adequado a realidade do povo amapaense.

MM. - Então o Randolfe poderá ser uma das opções sua, ao senado, juntamente com o candidato, João Alberto Capiberibe, do seu partido PSB?

RS.- Com certeza, e ai não tem primeiro nem segundo, todos os dois tem a mesma importância no meu modo de pensar a política e de ver a sociedade amapaense. Tanto o Randolfe como o Capi, é políticos altamente merecedores do meu respeito e da minha dedicação nessas eleições. Capi, certamente, faz uma diferença fundamental lá no senado, tanto quanto o Randolfe com sua sabedoria, mesmo que novo, poderá contribuir sobremaneira com as aspirações do povo amapaense.

03 março 2010

Amapá: “Politicamente fraco, economicamente dependente e dominado por pequenas elites locais”.

É esta a opinião do doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP), André Roberto Martin, quando fala sobre separatismo no estado do Pará. E esse fato foi manchete principal do jornal “O Liberal” deste domingo (28).

Cabem a nós, do Amapá, os seguintes questionamentos: Quem faz parte dessas pequenas elites que dominam o Amapá? Quem são os dominados? E o que podemos fazer para mudar essa realidade?

Aqui, no Amapá, tem pessoas que quase todos os dias, através dos meios de comunicação, declaram-se profundamente “apaixonados” por esse Amapá; fraco, dependente e dominado, e nada fazem para mudar essa realidade absurda. A maioria desses “apaixonados” serão candidatos, ou apoiarão algum, a um cargo eletivo neste ano de 2010, portanto, todo cuidado com eles!

02 março 2010

Voltando das Férias

Foi bom, enquanto duraram, essas férias em que estive na minha terra natal, revendo parentes e amigos, matando uma saudade de 15 anos. Matei a saudade dos que vi e ficou a eterna saudade dos que não mais vi. Ficou a experiência de que o pensamento pode parar no tempo, mas que o poeta tem razão quando diz que “o tempo não para”. Encontrei homens e mulheres que deixei crianças, encontrei idosos que me pareciam eternos jovens, e não eram, encontrei, em fim, a minha própria história perdida no tempo. E como recompor o tempo perdido? Se é que eu possa perder tempo, com alguma coisa. Descobri que o tempo não é meu, é de todos e não é de ninguém. Nós é que somos dele e estamos nele. O tempo é de DEUS, e ele nos é dado no quanto e como ele quer. Ainda, não somos senhores do tempo.